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A ativação iminente, pelo CAPES, de uma nova tabela Qualis causa várias
reações negativas na comunidade científica brasileira, em especial nas áreas de Medicina e Odontologia. O eminente Prof. Dr. Maurício Rocha e
Silva, editor da Clinics, da USP, criticou severamente a nova lista de
periódicos do CAPES, que foi originalmente concebida para “fundamentar o
processo de avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação da CAPES”.
Concordando com Rocha e Silva a respeito da grande importância que teve
o Qualis como primeira medida da qualidade de produção da pós-graduação,
alinho-me também entre aqueles que acreditam que “o crescimento da
qualidade da produção científica brasileira já extrapolou os limites
deste indicativo, que perdeu seu poder discriminativo”.
Irreal também para os periódicos brasileiros a tentativa forçada de
elaboração do novo QUALIS lastreada no ISI-JCR, como também
brilhantemente Rocha e Silva demonstra: diferentes áreas de conhecimento
atraem referência de modo diferenciado.
Porém, para nós a grande surpresa estava reservada no QUALIS Odontologia
e, em especial, para o tratamento que foi dado à Revista de Clínica e
Pesquisa Odontológica. Parece que simplesmente o(s) revisor (es) do
QUALIS Odontologia nunca leram, ou sequer deram uma “olhadinha” na
Revista de Clínica e Pesquisa Odontológica.
No sistema anterior (Nacional e Internacional, Qualis A, B e C), a nossa
Revista era solenemente ignorada pelo (s) responsável (is) pela
avaliação da Área Odontologia. Apesar de: atendermos rigorosamente os
diversos parâmetros supostamente utilizados na avaliação; de contarmos
com edições impressa e on line; do nosso corpo editorial altamente
qualificado, internacional; do rigor no peer review; do rigor na
distribuição da Revista, enviada para todo o Brasil e para todas as
Escolas de Odontologia do mundo, a Revista aparecia classificada como “C” LOCAL (!!!).
Apesar de ignorada pelo QUALIS, são muitas as citações dos artigos
publicados na RCPO, pelo mundo todo. Porém, é lógico que não aparecem no
sofisticado, seletivamente exagerado ISI-JCR, uma empresa privada,
comercial - diga-se de passagem - que criou e domina o chamado fator de
impacto.
Da mesma maneira, não aparecem igualmente centenas de publicações
internacionais e nacionais de excelente padrão, principalmente
terceiro-mundistas, que não são abençoadas pelos “rígidos” critérios
ISIS-JCR, que mescla nebulosos critérios comerciais com os científicos.
Mesmo publicações americanas e européias de extraordinária qualidade são
ignoradas pelo ISI. A maioria delas é de livre acesso...Coincidência ?
Só posso interpretar tal classificação como “C” local de uma maneira: os
avaliadores da Área Odontologia NUNCA tiveram contato com a publicação,
pois, se assim o tivessem feito, pelo menos teriam a oportunidade de
verificar o quanto de injustiça estavam cometendo, ao qualificá-la como “local”...
Prova dessa assertiva é o tratamento que outras áreas da Saúde deram à
Revista de Clínica e Pesquisa Odontológica: nas classificações Medicina
I, Medicina II, observa-se que os responsáveis de Área tiveram o cuidado
de pelo menos avaliá-la, classificando-a como Nacional C.
Suponho que se espera de uma “comissão” ou de um “responsável” por Área,
no Qualis, é que pelo menos monitore as revistas nacionais e
internacionais de sua seara, e de vez em quando digne-se dar uma
olhadinha no que estão publicando.
É o exercício da transdisciplinariedade, justamente procurada e louvada
nos dias atuais. A própria Área de Engenharia, detectando artigos
publicados na RCPO com enfoque transdisciplinar (matéria comum à
Odontologia/Engenharia (Biomateriais), não deixou de notar, pelo menos,
a existência da publicação e classificá-la igualmente como Qualis C
Nacional.
Rocha e Silva, com clarividência, intitulou seu Editorial “O novo Qualis – a tragédia anunciada”, fundamentando sua posição com sólidos
argumentos de “distribuição de freqüência de conceitos Gaussiana”.
Meus argumentos são mais prosaicos, longe dos sofisticados conceitos do
mestre.
Assim, digo que a tragédia anunciada, com relação à Revista de Clínica e
Pesquisa Odontológica, materializou-se na nova classificação da Revista
como “C”, isto é, inexistente, nula. Cristalino que não houve qualquer
revisão do periódico: simplesmente tomaram a posição no Qualis anterior
(2007) e “transplantaram” para o novo Qualis. Logicamente, se lá estava
como “C” local (absurdo...), foi automaticamente qualificada como “C”,
no novo Qualis, ou seja, inexistente, nula, etc, etc. Pela nova
sistemática, os periódicos passam a valer alguma coisa a partir de B.....
Prova desta afirmação está no próprio novo Qualis: várias revistas
nacionais, que não estão mais sendo publicadas, algumas desde 2007,
aparecem galhardamente reclassificadas como B2 ou B1.
Nossos autores nacionais e internacionais, porém, pouco se importam com
a classificação tupiniquim da Revista de Clínica e Pesquisa
Odontológica, que cada vez mais firma-se como uma séria opção de
divulgação científica para as comunidades Odontológica e Médica. Sem
preconceitos.
Wilson Denis Martins, Curitiba |